RPGs combinam com hardcore gamers?
Mais um dia de treinamento no Ginásio Gamer, só que hoje ao invés de trocarmos sopapos vamos bater um papo sobre estratégia. Basicamente, como um gamer hardcore se prepara para enfrentar um game de RPG.
Definindo o estilo RPG
De imediato, exclua J-RPGs de sua mente por hoje. Caso queira mais informações, escute nosso programa Papo de Bar Pixelado – RPGs Japoneses. Ao que interessa, para as crianças que nunca jogaram o bom e velho RPG de mesa, uma introdução: a sigla significa Jogos de Interpretação de Papéis. A premissa é que todos os jogadores criem personagens e os interpretem, para em conjunto e de forma estratégica, superarem os desafios propostos pelo Mestre/Narrador. Com 11 anos como Narrador de RPG, seu treinador aqui já passou por vários sistemas e formas de jogar, desde modelos mais sociais até os focados unicamente em combates de larga escala, e é por esse caminho que gostaria de levar nossa conversa.
O RPG de mesa transferido para o sistema eletrônico obteve grande sucesso com a BioWare, que apoiada no sistema de mesa Dungeons & Dragons, conseguiu oferecer de forma crível a experiência de jogar RPG no computador/console. Sim, estamos falando basicamente da série Baldur’s Gate e NeverWinter Nights. Com a experiência aquirida, a empresa melhorou seu know-how e construiu um sistema quase próprio e que passou a funcionar melhor que os antecessores nas plataformas eletrônicas, como Dragon Age e Mass Effect. Se esses games se passam em cenários diferentes, o que têm em comum?
É preciso estratégia, tática e técnica
Todos os bons RPGs atuais devem se basear nessas três premissas para evitar ser um jogo casual e adotar o manto de hardcore.
Estratégia é quando o gamer precisa definir o que deve ser feito para enfrentar determinado desafio; tática é como ele deve realizar a estratégia usando suas ferramentas no momento (personagens); e técnica é a capacidade individual do personagem. Juntando tudo isso, o gamer precisa criar seu personagem principal para ser eficiente no conjunto de desafios que serão enfrentados em grupo, e não apenas porque gosta de determinada classe, raça ou cor de roupa ou cabelo. Em acréscimo ao protagonista, os companheiros do grupo devem ser escolhidos de forma a se complementarem e aumentarem as opções de táticas disponíveis ao gamer, para que a estratégia não sofra dificuldades de ordem organizacional. Para melhorar a compreensão, tomemos como exemplo um game medieval (Dragon Age: Origins):
A estratégia do gamer é sempre atacar com força total os inimigos, para acabar com o combate rapidamente. Para a tática ele deve escolher quatro personagens, e seleciona dois guerreiros, um ladino e um mago. Na parte técnica, os guerreiros são muito fortes, o ladino é fraco e causa pouco dano, o mago contribui cuidando da saúde dos outros três. Como isso pode dar certo? O ladino pode ser fraco, mas contribui com um técnica especial de ataque pelas costas, causando dano crítico. Como isso pode dar errado? O ladino não tem essa técnica bem desenvolvida e não é resistente a danos, logo, morre rapidamente e o mago precisa cuidar dele, e com isso os guerreiros ficam desprotegidos e acabam por não recuperarem seus níveis de energia e a batalha termina com o gamer morrendo.
Esse é um exemplo de vários possíveis, apontando a estratégia (macro), a tática (micro) e a técnica (individual) como engrenagens que devem funcionar em consonância, levando o gamer a vitória. Mas no RPG, nem tudo é luta.
Estado de espírito
A melhor característica de um gamer que se torna especialista em RPG é a paciência. É preciso entender a atmosfera do game para conseguir os melhores resultados. Conversar com todos os personagens para obter itens, informações e missões, de forma a facilitar as vitórias nas lutas por vir.
Um bom RPG não se joga com pressa. Serão horas de jogo gastas apenas escolhendo as melhores armas e armaduras; em conversas com personagens; em exploração de locais. Mas é preciso lembrar que tudo isso representa um meio para o melhor fim, que é terminar o game, bater no peito e gritar: eu sou foda!
Se você joga RPG assim, bem vindo ao clube do Ginásio Gamer, porque aqui, videogame é coisa séria!
@brunnoelias sabe que em todo RPG que jogar, serão ao menos 50 horas gastas.







