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Publicado por em 3 de junho de 2011 | 9 Comentários

RPGs combinam com hardcore gamers?

 

Mais um dia de treinamento no Ginásio Gamer, só que hoje ao invés de trocarmos sopapos vamos bater um papo sobre estratégia. Basicamente, como um gamer hardcore se prepara para enfrentar um game de RPG.

Definindo o estilo RPG

De imediato, exclua J-RPGs de sua mente por hoje. Caso queira mais informações, escute nosso programa Papo de Bar Pixelado – RPGs Japoneses. Ao que interessa, para as crianças que nunca jogaram o bom e velho RPG de mesa, uma introdução: a sigla significa Jogos de Interpretação de Papéis. A premissa é que todos os jogadores criem personagens e os interpretem, para em conjunto e de forma estratégica, superarem os desafios propostos pelo Mestre/Narrador. Com 11 anos como Narrador de RPG, seu treinador aqui já passou por vários sistemas e formas de jogar, desde modelos mais sociais até os focados unicamente em combates de larga escala, e é por esse caminho que gostaria de levar nossa conversa.

O RPG de mesa transferido para o sistema eletrônico obteve grande sucesso com a BioWare, que apoiada no sistema de mesa Dungeons & Dragons, conseguiu oferecer de forma crível a experiência de jogar RPG no computador/console. Sim, estamos falando basicamente da série Baldur’s Gate e NeverWinter Nights. Com a experiência aquirida, a empresa melhorou seu know-how e construiu um sistema quase próprio e que passou a funcionar melhor que os antecessores nas plataformas eletrônicas, como Dragon Age e Mass Effect. Se esses games se passam em cenários diferentes, o que têm em comum?

É preciso estratégia, tática e técnica

Todos os bons RPGs atuais devem se basear nessas três premissas para evitar ser um jogo casual e adotar o manto de hardcore.

Estratégia é quando o gamer precisa definir o que deve ser feito para enfrentar determinado desafio; tática é como ele deve realizar a estratégia usando suas ferramentas no momento (personagens); e técnica é a capacidade individual do personagem. Juntando tudo isso, o gamer precisa criar seu personagem principal para ser eficiente no conjunto de desafios que serão enfrentados em grupo, e não apenas porque gosta de determinada classe, raça ou cor de roupa ou cabelo. Em acréscimo ao protagonista, os companheiros do grupo devem ser escolhidos de forma a se complementarem e aumentarem as opções de táticas disponíveis ao gamer, para que a estratégia não sofra dificuldades de ordem organizacional. Para melhorar a compreensão, tomemos como exemplo um game medieval (Dragon Age: Origins):

A estratégia do gamer é sempre atacar com força total os inimigos, para acabar com o combate rapidamente. Para a tática ele deve escolher quatro personagens, e seleciona dois guerreiros, um ladino e um mago. Na parte técnica, os guerreiros são muito fortes, o ladino é fraco e causa pouco dano, o mago contribui cuidando da saúde dos outros três. Como isso pode dar certo? O ladino pode ser fraco, mas contribui com um técnica especial de ataque pelas costas, causando dano crítico. Como isso pode dar errado? O ladino não tem essa técnica bem desenvolvida e não é resistente a danos, logo, morre rapidamente e o mago precisa cuidar dele, e com isso os guerreiros ficam desprotegidos e acabam por não recuperarem seus níveis de energia e a batalha termina com o gamer morrendo.

Esse é um exemplo de vários possíveis, apontando a estratégia (macro), a tática (micro) e a técnica (individual) como engrenagens que devem funcionar em consonância, levando o gamer a vitória. Mas no RPG, nem tudo é luta.

Estado de espírito

A melhor característica de um gamer que se torna especialista em RPG é a paciência. É preciso entender a atmosfera do game para conseguir os melhores resultados. Conversar com todos os personagens para obter itens, informações e missões, de forma a facilitar as vitórias nas lutas por vir.

Um bom RPG não se joga com pressa. Serão horas de jogo gastas apenas escolhendo as melhores armas e armaduras; em conversas com personagens; em exploração de locais. Mas é preciso lembrar que tudo isso representa um meio para o melhor fim, que é terminar o game, bater no peito e gritar: eu sou foda!

Se você joga RPG assim, bem vindo ao clube do Ginásio Gamer, porque aqui, videogame é coisa séria!

@brunnoelias sabe que em todo RPG que jogar, serão ao menos 50 horas gastas.

  • VMetal

    Hoje em dia muitos rpgs estão se voltando para a ação né, tempos que não vejo um elogio para jogos nos moldes do B. Gate e afins. Dragon Age parecia tentar chegar o mais próximo disso mas ainda assim cheira a ação. Claro que ainda curto os jogos mesmo assim mas sinto muitas saudades do bom pausar e pensar antes de cair de cara em tudo. Falta controle, eu acho.

    • brunnoelias

      Concordo com você. Escolher jogar RPG é escolher ser estrategista, como a saudosa época de Baldurs Gate. A discussão sobre controles é válida, mostrando que talvez o PC seja a melhor opção para sanar esse problema (mouse + teclado).

      • Thyago Athayde

        Para mim o bom RPG têm que estender a estratégia a tática para os diálogos também! O gamer sempre que possível deve ter a opção de Lutar, ou tentar usar Carisma, Intimidação ou até mesmo Mentir para uma determinada ação! Esse leque de possibilidades de interpretação em uma determinada situação que deixa o jogo com um feeling RPGístico!

        • brunnoelias

          Meu protagonista em Dragon Age: Origins sempre que possível, levava os NPCs na lábia (elfo mago).

  • http://twitter.com/bestevesnet Bruno Esteves

    Eu realmente odeio jogos de RPG estilo sandbox – sobretudo os da atual geração. Fallout e Elder Scrolls são os piores! Te dão liberdade de ação, dezenas de subquests, centenas de locais interessantes, milhares de linhas de diálogo… e o pior: te tomam mais de 100 horas antes de você finalizar o jogo!
    (ironia mode off)

  • Fausto

    Opa! Tem um amigo meu que é foda porque terminou o Final Fantasy Tactics com personagens em nível baixíssimo! Nada de ficar horas melhorando os personagens, ele ficava horas melhorando a estratégia.

    Esse cara eu acho foda.

    • brunnoelias

      Esse cara deve ser muito hardcore!

  • Thyago Athayde

    Um fato que eu acho deprimente é que nenhum outro empreendimento que leve o nome Dungeon & Dragons prestou depois dos jogos de arcade D&D que eram beat'em up. Os filmes são horríveis, os jogos piores ainda!

    O último que saiu na live arcade eu joguei e achei um lixo, totalmente bugado! Parece um estigma ligado ao nome! Os livros de RPG são lindos, mas quando são "portados" para um outro segmento, sempre cagam tudo!

  • http://twitter.com/icarobagano @icarobagano

    Uma boa parcela de diversão no RPG (tanto em jogos de video game, quanto no clássico de mesa) é encarnar no personagem e ir moldando a personalidade dele conforme a história se desenrole, gosto de jogos de RPG que te dão isso (Bioware e Bethesda), os combates dão o tempeiro que faltava e pronto eis um bom RPG.