Nintendo 3DS: a tecnologia e a ergonomia
Finalmente a Cidade Gamer concluiu a fase de avaliações do novo console da Nintendo!
Após efusivas discussões no gabinete do prefeito Vivacqua, o console foi enviado para testes na Secretária de Saúde, e o responsável pela pasta encaminhou o pronunciamento para o Ginásio Gamer, nosso já habitual santuário hardcore e questões de saúde gamer.
Portátil e hardcore?
Em uma análise superficial todo portátil parece ser para o gamer casual, mas isso não passa de preconceito. Existem preferências pela telinha ou telona, mas o emblema de hardcore é entregue ao gamer que tem um relacionamento peculiar com os games. E nos portáteis a Nintendo tem criado uma boa base de games hardcore, com jogos de estratégia, raciocínio e dedicação que rivalizam com os consoles para a TV. Talvez a roupagem adotada pela empresa seja a responsável pela cara de casual: personagens bonitinhos, cenários coloridos e prerrogativas infantis, mas isso tudo está na superfície.
Baseando nosso papo na questão hardcore como comportamento gamer, o Nintendo 3DS (N3DS para os íntimos) entra como nova ferramenta para consumir games, com a extravagante idéia de 3D sem equipamento extra.
O 3D sem óculos
O grande diferencial divulgado do N3DS acabou sendo o 3D sem óculos. Não se fala tanto sobre a capacidade de processamento, as câmeras, o microfone, a comunicação sem fios ou a rede on-line da Nintendo. O 3D é realmente interessante, começando pela configuração inicial do console na qual o gamer é levado com grande expectativa a aprender a controlar o nível de 3D a ser utilizado. Esse primeiro contato já é fenomenal! Da configuração para frente é possível utilizar todas as telas de menu em 3D.
O N3DS apresenta duas telas: a superior em 3D e a inferior sensível ao toque. O 3D pode ser desligado a qualquer momento, e só é compatível com softwares elaborados para o N3DS.
A própria Nintendo se protege quanto aos problemas que podem surgir com o uso da nova tecnologia. Tanto no site oficial quanto no console, existe o aviso para que crianças com menos de sete anos não joguem com o 3D ativado, por possível influência no desenvolvimento da visão (ainda sem comprovação de efeitos negativos). Outro ponto em destaque é a fadiga visual, aquele cansaço já habitual de gamers que jogam por muitas horas. Normalmente a recomendação geral é de pausas de 10 a 15 minutos para cada hora de jogo. No 3D o descanso é mantido, mas para cada 30 minutos utilizando a tecnologia. Os testes em nossos laboratórios de esforço aqui no Ginásio Gamer realmente apontaram cansaço visual com o 3D após 30 minutos de uso contínuo, mas nada grave. O verdadeiro incômodo veio após os 60 minutos de uso da tecnologia, quando o console foi desligado e surgiu uma dor de cabeça chata, provavelmente provocada pela adaptação visual necessária à tecnologia, seguida da mudança de foco quando terminada a sessão de jogo.
No geral, tanto na mídia especializada quanto em nossos laboratórios, não foram identificados problemas graves quanto ao uso do 3D, além do cansaço visual percebido.
Mas o 3D não traz somente pontos negativos. A profundidade oferecida pela tecnologia leva o gamer a outros níveis de estratégia e formas de encarar os jogos. É possível ter uma boa idéia da distância entre personagens, objetos e tamanho do cenário com o uso do 3D. Ainda existem poucos jogos que utilizem essas possibilidades, mas o horizonte é amplo e resta esperar pelos lançamentos.
Ergonomia
Não é só de tela e 3D que se faz um portátil. Para fácil transporte, é preciso também tamanho reduzido. A tela em 3D tem 3,5 polegadas, e o console apresenta 134mm de comprimento, com 74mm de largura e 21mm de espessura, gerando por volta de 230 gramas. É um pouco maior que um IPhone ou Samsung Galaxy S, e mais grosso e pesado.
Quando abrir o console, o gamer terá acesso às duas telas, uma alavanca analógica e um direcional do lado esquerdo e a sequência de botões do lado direito, mais o L e R na parte posterior do console. Ao jogar o gamer posiciona os indicadores justamente na posição dos botões L e R, que apresentam alta sensibilidade e podem ser pressionados acidentalmente durante os jogos, pois é preciso apoiar o console nas mãos. O posicionamento do analógico acima do direcional, e o não alinhamento desses com os botões de ação do outro lado geram outro desconforto.
Após alguns minutos de jogo sente-se a fadiga de sustentar o console nas mãos de forma a acessar todos os botões, acrescido ao fato de em alguns jogos ser preciso segurar a stylus, caneta do console, para acessar a tela sensível ao toque. Por se tratar de um portátil, o qual a intenção é ser pequeno mesmo, as dimensões estão corretas, e o aparelho apresenta um ótimo acabamento e pintura. Em nosso ginásio concluiu-se que o desconforto ao manusear será de acordo com o tamanho do gamer, pois comparar alguém de 1,8m de altura com alguém de 1,6m é inusitado, e ainda por cima segurando um portátil com essas dimensões.
Novo equipamento para o ginásio?
Avaliando os pontos positivos (3D e possibilidades de games interessantes) e os negativos (cansaço visual excessivo e ergonomia), nosso Ginásio Gamer optou por adquirir algumas unidades para treinamento dos gamers mais avançados. Os pontos negativos podem ser contornados com atitudes simples, como pausas, que já deveriam ser adotadas em consoles para a TV.
De forma geral, o Nintendo 3DS, enquanto console, entregou aquilo que prometeu, a tecnologia 3D sem óculos, e melhor ainda, ninguém morre por utilizar a inovação. Agora resta ver os títulos que serão oferecidos e como os gamers hardcore vão utilizar a plataforma. Particularmente, o Ginásio Gamer torce para que o console dê certo e traga inovação para o nosso treinamento diário, por que aqui videogame é coisa séria!
@brunnoelias sentiu fadiga muscular entre o terceiro e quarto metacarpo da mão direita ao jogar.






