O mundo dos games invade a literatura
Não é novidade que os games já deixaram os consoles faz muito tempo. Esse “movimento” é conhecido como transmídia, ou seja, os jogos que tanto gostamos não se encaixam apenas como conteúdo jogável e exclusivo das plataformas eletrônicas transcendendo do seu meio de origem para desenhos animados, livros, cards, etc. Tudo o que podemos imaginar ganha uma versão que nos faz ter o mesmo tema e personagens dos nossos jogos favoritos além das horas em frente à televisão. Indiferente dessa mania, os brasileiros começaram a ganhar mais conteúdo literário com as recentes adaptações lançadas no Brasil por editoras que buscam o público gamer. E é sobre isso que vamos abordar nesse post.
Dia 09 de agosto foi a data de início da 22° edição da Bienal do Livro de São Paulo, ou seja, um local imenso com muito conteúdo literário para qualquer fã e bom leitor não botar defeito. Por muitos anos os fãs de quadrinhos tinham espaço, mesmo que pequeno, reservado para se encontrarem e consumirem. Seguindo a mesma tendência, as editoras brasileiras começaram a dar importância e valor para os gamers nos agraciando com excelentes lançamentos. A grande dúvida é: trata-se de mais uma maneira de nos fazer gastar dinheiro ou realmente são bons títulos e vale a leitura?
Sinto informar aos pessimistas de plantão, mas os livros são obras além dos jogos. Não somente funcionam como complemento, mas mostram um mundo que muitas vezes passa sem a devida atenção. Sem contar que o visual sai para dar lugar à imaginação e para esses dois casos eu recomendo os livros de Oliver Bowden, que adaptam as histórias de Assassin’s Creed. Brilhantemente vemos a transposição do enredo do game, porém com detalhes e peculiaridades dos personagens que não são mostradas durante o jogo, além de apresentar uma reconstrução física da Itália de forma impressionante e nos levar para dentro da cabeça dos personagens. A editora Record, responsável pelo lançamento da edição brasileira, conseguiu agradar aos fãs e encontrar um mercado pouco explorado e com pouco cuidado, sem lançamentos que agradem a todos.
O melhor de se ter esse tipo de livro é perceber que os NPCs não são apenas personagens renderizados presentes para tomar tiro, sofrerem algum ataque ou aparecerem para te ajudar, mas sim que eles podem se explorados e nos mostrar parte da história que, até então, não conhecíamos ou nem imaginávamos que pudesse existir. Um exemplo claro de como isso funciona é Battlefield 3: O Russo, do famoso Andy McNab, que mostra a importância dos seus companheiros de guerra e que não estão ali apenas para morrerem, mas sim para fazerem a diferença na história.
Imagine que todos esses livros fossem parte de uma edição de colecionador, ou seja, algo importante e complementar. Não que seja algo obrigatório, mas que explora e te leva para cantos que não vemos durante o gameplay frenético. Seria como participar de uma festa e depois ver a filmagem da mesma festa. Garanto que você vai olhar para lugares que, até então, não foram analisados. Os personagens deixam de ter apenas características físicas e comportamentais para ganharem um lado cognitivo e psicológico, fazendo com que os leitores caiam em profunda imersão.
Aproveite a Bienal de São Paulo ou até mesmo promoções online, para comprarem esses livros e garimparem por outros vários que existem em inglês e que ainda não chegaram ao Brasil. Não se iluda, pois, eles não tratam de spin-offs ou universo expandido, como é o caso de Uncharted: O Quinto Labirinto, do autor Christopher Golden. Não que esse tipo de livro seja ruim, porém ele apresenta uma história totalmente nova apenas com personagens conhecidos, ou seja, uma obra que reaproveita um nome de franquia conhecido e personagens famosos. As adaptações de Assassin’s Creed e Battlefield, em obras literárias, não fazem parte de um universo expandido e sim a mesma história com visão microscópica.
Longe de ser uma repreensão ao estilo de livro que Christopher Golden nos apresenta, afinal Star Wars possui um universo expandido de dar inveja em qualquer franquia. Incluindo livros que trabalham a temática e enredo presente em alguns dos jogos lançados, tendo o mais recente ligado à Star Wars Force Unleashed e The Old Republic. Isso sem contar
Se vocês conhecerem outras obras, além dessas atuais abordadas pelo post, postem nos comentários e recomendem! Lembrando que não estou ganhando nada para falar dos livros, mas apenas comentando algo que é bom e, para quem me conhece, sabe que sempre sou a favor do incentivo à leitura.








