A tendência “jump and grab”

Sabe quando a sua única tarefa em um game era andar para frente, apertar o seu botão de soco, chute ou pulo de forma insana para matar os inimigos, se preocupando apenas em desviar dos desafios impostos pelo cenário e pular pelos “buracos” que vinham pela frente. Não adianta culpar o sistema de 8 ou 16-bits, pois me recordo que muitos games, até certa época do Playstation 2 e XBox, ainda tinham o famoso “corre e pula” desvairado pelos cenários poligonais.

Não fiquem restrito ao termo “Plataforma”, pois, muitos games misturam os elementos transcendendo a idéia de um único gênero. Posso citar alguns vários exemplos, indo de uma plataforma a outra, em que a missão era simplesmente passar pelo cenário, com alguns puzzles que nos desafiasse, porém o verdadeiro desafio estava não cair em algum dos buracos ou acertar o tempo certo para atingir o inimigo e continuar andando/correndo. Ficamos reféns desse estilo de jogo desde o famoso Crash Bandicoot e Mario 64 até a alguns games atuais, basta analisarmos alguns jogos para Wii, Steam, PS3 e Live, porém algo começou a mudar com a entrada dos estilos de Aventura, FPS, RPGs e outros para as gerações que ainda estavam para surgir.

Muitos desses games em que o desafio estava no próprio cenário começaram a deixar de ser interessante, porém surgiu como desafio para as desenvolvedoras uma forma de criar novos games e transformar o próprio cenário em puzzle e não só contar com a matança dos inimigos, como desafio. Eis que surge a série Prince of Persia. A Ubisoft pegou o estilo plataforma e exploração, presente em muitos games, e elevou a um novo nível, dando agilidade ao personagem e desafios aos gamers ao introduzir o parkour como meio de movimentar ao Príncipe.

Não nos preocupávamos mais se o obstáculo estava em nossa frente, pois ele poderia estar ao nosso redor, seja em pulo errado, um local errado escolhido para se segurar, um erro ao movimentar a câmera, além de nos preocuparmos com os inimigos que vinham ao nosso encontro. O gameplay foi renovado e os desafios ampliados, criando uma maneira nova de se encarar esse estilo de game que mescla plataforma, aventura, ação e exploração.

Após os 3 games da série Prince of Persia, iniciado em “The Sands of Time”, vimos muitos games seguirem essa tendência do parkour e levar em conta a movimentação do personagem pelo cenários, transformando todos os detalhes da ambientação como possibilidade de caminho para o desenrolar da história. Não que seja ruim, porém 8 anos após a inovação feita pela Ubisoft, começamos a notar certo desgaste dessa fórmula e uma tendência em todos os games incluírem a fórmula do “jump & grab” em seus games. Grandes e novos sucessos de venda possuem esse estilo de game em sua base. Mentira? Então me digam do que Assassin’s Creed e Uncharted são feitos? Pararam para reparar que a maioria dos games hoje em dia fazem você se jogar entre os cenários e se agarrarem em qualquer coisa para continuarem a exploração? O recente trailer de Bioshock e Tomb Raider mostraram mais jogos desse estilo, até quando teremos mais do mesmo, apenas trocando a temática principal?
Novamente. Não que seja algo ruim, mas pensem que tivemos a fórmula plataforma em 2D por muitas décadas, ou seja, já estamos prestes a completar uma década do estilo criado em Prince of Persia, por mais quantos anos ficaremos refém desse estilo de gameplay? Qual será o próximo passo dado na movimentação dos personagens? O parkour seria o limite ou ainda temos muito que explorar dos movimentos realizados pelos seres humanos e transportar para os games?

Vamos esperar pela próxima inovação…

Post Author: Rafael Nery

1) Geminiano e Nerd 2) Adoro usar xadrez 3) Amante de quadrinhos, games, filmes e desenhos 4) Estudioso da cultura japonesa 5) Viciado em literatura fantástica