Ar de nostalgia que respiro…


Sabe quando torcemos para um game ganhar um remake ou uma continuação, pois, teremos mais uma oportunidade de jogar aquele que foi o motivo de horas de diversão e empolgação ao chegar ao final, porém uma pontada de tristeza ao ver que não terá mais o game para ser desbravado?
Quem nunca teve um jogo que trazia um sentimento de nostalgia ao lembrarmos da infância ou de bons momentos que acompanharam aquele nosso game preferido? Confesso que a minha série de games favorita é The Legend of Zelda; me recordo que o meu primeiro contato com a série foi com o game Link’s Awakening DX, para Game Boy, e que passei horas jogando e não acalmei minha ansiedade até zerar o game. E o que isso tudo tem a ver para ser tão importante a ponto de ganhar um texto aqui, no Cidade Gamer?! Simplesmente o sentimento de nostalgia que os games nos trazem e, para ilustrar como isso pode funcionar, farei uma homenagem aos 25 anos do meu game preferido.

Não tenho a fórmula mágica para descobrir se um personagem pode ser o causador do carisma e fator determinante para nos apegarmos à algum game, pois, nem sempre o personagem pode ser bonitinho ou carismático. Basta lembrar de Gears of War para sabermos que “bonitinho” não se enquadra na série. Poderia ser a história?! Quando eu joguei Link’s Awakening DX eu tinha por volta dos 14 anos, o que se tornava a história não tanto importante, afinal meu inglês não era o melhor. E a experiência, conta? Creio que sim, porém não se torna o principal fator, imagine que um gamer casual viciado em Guitar Hero não tem uma história para se apegar, senão o seu amor pela música ou a jogabilidade.

O que se torna engraçado é que ao ouvir o crescente da música de abertura, surgida em Ocarina of Time, não só me vem personagem, história e experiência, todos ótimos, mas sim um sentimento que me faz lembrar do meu tempo de colégio, amigos que dividiram a experiência de jogar Zelda, problemas e felicidades. Tudo está conectado, como se fosse uma pequena viagem no tempo, mas discreta e particular. Da mesma forma que sentimos um cheiro que nos faça lembrar de algo antigo, um simples jogo pode ativar uma vontade e um sentimento nostálgico tão grande que me deixa ansioso em poder reviver aqueles momentos, mesmo que eu não tenha a mesma idade ou mesma cabeça, porém, poderei revisitar aquilo que eu gostei um dia.

Esquecemos de gráficos e até mesmo de bugs que surgem durante as mais de 10 horas na frente da televisão, simplesmente por ver uma cinematic encerrando um jogo que para você tem mais significados e sentimentos que a grande maioria. Fazemos loucuras para acompanhar a série e a sua idas e vindas para velhos e novos consoles. Costumo dizer que quando crianças sonhamos em ter todos os jogos, porém quando mais velhos, sonhamos em ter tempo para jogar todos os jogos. O seu game favorito, aquele com um gostinho de nostalgia, foge à essa regra, pois, deixamos de dormir e quebramos algumas regras para poder ficarmos mais perto do que gostamos.

Para a nostalgia acontecer você não precisa ter jogado todos, mas aposto que nunca esquecerá o seu primeiro contato, além de colecionar vitórias ao acompanhar o desenrolar da série e o crescimento do personagem. Muitos spin-offs existem para atrapalhar, poucas continuações superam os anteriores, mas você acaba por jogar a mesma história em 8-bits, com The Legend of Zelda, 16-bits, com A Link To The Past, no portátil, com Link’s Awakening DX, em 64-bits, com Ocarina of Time, em cell shading, com Wind Waker, num visual dark, com Twilight Princess, em 3D, com o remake de Ocarina of Time, e até mesmo sonhando com a continuação em HD, para o recém anunciado Wii U, e relembrar que um dia já fora mostrado algo daquele jeito e você poderá jogar após anos esperando.

Recentemente o público teve a oportunidade de conhecer um fã famoso, o ator Robin Williams, e sua filha, Zelda Williams, que recebera o nome devido ao pai gostar tanto da série. Tal demonstração de carinho ultrapassa certos limites, porém imagino o quanto seja gratificante e nostálgico, para ele, poder ter a “Princesa” como sua filha, ou melhor, poder passar a barreira do imaginário para ter ao seu lado aquilo que gostam em que você ama.

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Não sei o fator disso tudo, nem o que leva os gamers a esperar por tanto, mas suspeito de uma coisa. O amor por uma série de jogos retrata somente um único significado em comum: a lembrança de ser criança outra vez.

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Post Author: Rafael Nery

1) Geminiano e Nerd 2) Adoro usar xadrez 3) Amante de quadrinhos, games, filmes e desenhos 4) Estudioso da cultura japonesa 5) Viciado em literatura fantástica