Fábrica Gamer – Idéias

Estava eu passeando pela fábrica gamer e percebi as pessoas tendo e discutindo idéias. Algumas bem simples e outras até bem mirabolantes. Eu tive que parar para conversar com o pessoal sobre as idéias para um jogo.

Todos concordamos que todo game surge de uma idéia inicial. Mas será que todo tipo de idéia é válida? Quais delas podem ou não se tornar um jogo? E mesmo que vire um jogo, será que ela vai virar um bom ou mau jogo?

Bom, a primeira coisa a se dizer é que nem toda idéia é viável. Com certeza você, assim como eu, já teve várias delas acerca de jogos e achava que todas eram o máximo. Pois eu tenho que falar uma coisa: a maioria dessas idéias não são tão boas quanto você pensa. Aqui na Fábrica Gamer a pessoa acaba percebendo isso. Mas isso não quer dizer que você tenha que desistir de tê-las, porém tem que saber que nem todas virarão um jogo.

Eu gostaria de explicar um pouco sobres os três conceitos básicos que normalmente são as origens de uma idéia para um game. Esses conceitos são: jogabilidade, história e tecnologia.

Podemos criar um jogo a partir da jogabilidade. Por exemplo, eu quero fazer um jogo onde o personagem enfrenta inimigos através de vários combos e pode finalizá-los através de quick time events. Para o deslocamento entre as várias plataformas do jogo, o player deve atravessar vários penhascos das mais variadas formas e resolver alguns puzzles para avançar isso. Eu tive várias idéias sobre como seria a jogabilidade do jogo. Isso poderia ser o pontapé inicial que levaria a criação de um jogo. Se isso ocorresse, só em um momento posterior é que eu pensaria em como seria a história.

Mas podemos ter um cenário diferente. A primeira idéia para um jogo pode ser relativa à história. Mais um exemplo: eu vou fazer um jogo sobre um assassino em série que mata suas vítimas e deixa uma marca registrada dele no local do crime. Assim a polícia começa a investigar os crimes. Então surge um personagem que é detetive e começa a investigar. Ele tem uma razão pessoal para querer descobrir o assassino. Além dele tem mais outro personagem que investiga e está bem envolvido com a história. Eles podem ser um homem e uma mulher e então terem um envolvimento romântico. Pode notar que diferente do exemplo anterior eu não falei nada sobre a jogabilidade. Essa é outra forma de ter uma idéia para um game.

A última forma é com base da tecnologia. Eu posso querer fazer um jogo que use um controle de movimento, seja como espada, arma ou instrumento esportivo, e também usar o recurso de imagem 3D em uma TV. Ou então eu posso querer fazer um game para Nintendo 3DS usando a tela em 3D e a tela de toque do console. Ou mesmo posso pensar em fazer um jogo para iPhone, usando os recursos da touch screen e o seu giroscópio. Note que eu só tive idéia de usar os recursos tecnológicos do aparelho. Eu sequer pensei ainda em como seria implementada a jogabilidade nessa tecnologia ou mesmo uma história para o game.

Você pode estar pensando agora que mesmo que eu tenha uma idéia inicial baseada em como será a jogabilidade do game, logo em seguida você teria que pensar em história e jogabilidade. Isso não é verdade. Por exemplo, eu posso querer fazer um jogo de puzzle, ao estilo Tetris. Eu não vou pensar em história, pois não terá e eu não vou me preocupar com tecnologia, pois será um game simples, sem recursos específicos de alguma plataforma.

Após falar dos tipos de idéias e agora você consegue entender qual é o seu estilo (você pensa mais em jogabilidade, você pensa mais em história) eu quero frisar que nem todas que você acha legal são realmente viáveis para um game. É preciso lembrar que sempre há um cliente, um patrocinador que é responsável por dar os recursos (sim, os financeiros) para a produção dos jogos, então você tem é que convencer esse cara de que sua idéia é um investimento que vale a pena. Mas como eu faço isso?

O importante em expor uma idéia é não fazer coisas como “Olha, eu pensei em um jogo em que vem uns aliens e…”. Geralmente nem vão te deixar terminar. Uma idéia tem que ser o mais simples possível. A pessoa que está te escutando não quer ficar ouvindo toda uma explicação. Uma forma boa de expô-la seria “Vamos fazer um jogo de piratas.”. Bem simples, viu? Se a pessoa que está lhe escutando se interessar ela vai lhe perguntar mais coisas, vai querer saber mais. Então você vai respondendo e dando o embasamento de por que o que você pensou é algo bom.

Sendo assim, passe a prestar atenção nas suas idéias sobre jogos e comece a desenvolvê-las mais. Tente expô-las para outras pessoas para ver o que elas acham. Só assim você saberá se ela vale a pena ou não.

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  • VMetal

    Para mim os dois quesitos que decidem se vou comprar um jogo sempre foram Jogabilidade e Estória. Temos muitas provas que coisas como gráficos (Minecraft é 8 bits e ainda assim um dos jogos mais vendidos deste ano) e tecnologia (quantos não reclamaram do crisis ou de jogos vazios com controle de movimento) não sustentam um jogo se não possuirem estes dois quesitos que mencionei. E entre os dois dou mais importância para a jogabilidade, vide meu gosto por Prototype, que tem uma estória meia boca mas é tão bom de jogar.