Por uma geração com mais DLCs e menos jogos a cada ano

Depois de um mês extremamente corrido e longe do Cidade Gamer, hora de voltar para a casinha e tirar a poeira. Nada melhor como retornar com um post um tanto quanto polêmico e que vem dividindo opiniões entre “rodinhas de amigos”. Quando a atual geração surgiu, um dos diferencias e motivos para se lançar o PS3 e Xbox 360, além do gameplay online, eram os benefícios da conectividade. Ótimo! Então por qual motivo vocês continuam lançando “Jogo Whatever 1, 2, 3 e 4” ou “Jogo 2010, 2011, 2012 e 2013”? Vamos aos próximos parágrafos para ver o que sai dessa breve reflexão.

O mais estranho dentro do mercado de games é como as promessas e premissas são divergentes do divulgado no pré e lançamento dos consoles. Hoje temos a Apple como grande case de sucesso na venda de jogos a 99 centavos, com grandes 3rd-party olhando fortemente para os devices como escape daquilo que os consoles vêm falhando em conseguir: a adoção de DLC e venda de conteúdo online. Nintendo, Sony e Microsoft simplesmente esqueceram que podem utilizar seus ambientes online para a venda de conteúdo como forma de atualização dos jogos já lançados, evitando que tenhamos um jogo novo de esporte a cada ano, com alterações ínfimas, ou (o que me irrita mais) um jogo novo de Naruto com acréscimo de cutscenes e personagens!

Temos um grande complicador que é o limite do espaço no HD dos consoles, porém sempre existe o upgrade que o gamer sente necessidade em fazer durante uma geração inteira. Além disso temos os valores, porém se tirarmos o “cenário Brasil” como algo totalmente desfavorável para esse pensamento, podemos passar um DLC de 9 dólares a algo como 15 a 30 dólares para recebermos um pack de atualizações suficientes e que justifiquem o gasto. Um excelente exemplo disso é Battlefield 3, que não saiu com sua quarta versão em 2012, ao contrário do seu rival Call of Duty e até mesmo de Medal of Honor. Essa estratégia faz com que nós, fãs de uma franquia, tenhamos o sentimento de que “está faltando o meu jogo preferido esse ano”, para você ter motivação em gastar 59 dólares ou 190 reais.

Não podemos entrar na discussão sobre como ficaria essa prática no Brasil, afinal recentemente a eShop, no Nintendo 3DS, mostrou um game com venda online por R$ 159 e que o mesmo título custa U$ 20, na versão americana da loja. Nós ainda temos muito que aprender, mesmo tendo uma nova geração prestes a começar e com Nintendo prometendo ter o melhor sistema de distribuição online de conteúdo, tenho muito medo de como vamos receber e utilizar essa mecânica. É impossível termos a promessa de uma infraestrutura favorável a esse tipo de cultural, sendo que temos disponível a venda de um mísero personagem, sendo que você vai lançar o mesmo jogo com versão “ultra”, “super” ou “power” logo depois de alguns meses.

Nada justifica, mesmo o espaço físico, sendo que você pode ampliar o sistema de vendas, afinal, se você quer comprar mais jogos físicos você não precisa de muito HD, porém se você é adepto ao uso de DLCs, por quê não ter a chance de comprar a nova geração com capacidade de storage maior? A Microsoft saiu na frente fazendo isso, para depois a Sony se arrepender do que fez com o PS3 e agora o Wii U otimizando o sistema de vendas.

Precisamos acordar para a cultura do cadastro de cartão de crédito e o (perigoso) botão “instant buy”!

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Post Author: Rafael Nery

1) Geminiano e Nerd 2) Adoro usar xadrez 3) Amante de quadrinhos, games, filmes e desenhos 4) Estudioso da cultura japonesa 5) Viciado em literatura fantástica