Sua Morada Pixelada

Resenha: Small Radios Big Televisions

O tempo torna muitas coisas do nosso cotidiano em algo totalmente inútil. Lembro da época que ficava esperando uma música que gostava tocar na rádio para gravar em uma fita cassete. Geralmente terminava frustrada quando perdia o timing de apertar o botão “REC” ou a canção era cortada por uma vinheta.

Outra lembrança relacionada a essa tecnologia arcaica era copiar CDs de algumas bandas de rock, que uma amiga emprestava, para outra fita cassete e ficar ouvindo em um walkman.

Naquela época em que não exista Spotify, meu pai mantinha uma pequena coleção dessas fitas, conhecidas como “mixtape” com playlists para ouvirmos no momento das refeições. No caso dele, as cópias eram feitas de antigos discos de vinil. Aliás, era muito gostoso ouvir vinil e todas as imperfeições, como o sutil som do disco rodando na vitrola misturado com a música.

Por que estou falando sobre lembranças como estas? Isso é culpa do jogo Small Radios Big Televisions, desenvolvido por Fire Face Corporation e lançado em 2016, com distribuição da Adult Swin Games.

Relacionamento com o analógico e o digital

A forma como experimentamos os videogames foi transformada ao longo dos anos, deixando uma certa nostalgia em algumas pessoas. Por isso, uma estética retrô atrai cada vez mais nossa atenção e os desenvolvedores buscaram inspiração no passado.

Small Radios Big Televisions segue esta tradição anacrônica, proporcionando aos jogadores a chance de explorar mundos abandonados por meio de fitas cassetes que foram deixadas abandonadas.

No jogo, você percorre os corredores decadentes de algumas fábricas esquecidas, cada qual com estruturas antigas que podem ser interessantes. Elas se assemelham a um diorama (apresentação artística tridimensional), mas com portas pintadas com um cinza monótono e engrenagens frágeis.

Embora estas fábricas tenham seu charme, não são o foco jogo. São as fitas cassetes que realmente importam. Todo edifício tem um punhado de fitas que devem ser carregadas em um tocador de cassetes.

A estética destas fitas é bem simples, já que são adornadas com uma só palavra como “Tundra”. Apesar disso, a graça está em carregar sua energia e tocar qualquer fita para ser transportado a um mundo virtual, em um processo mágico.

Cada fita cassete guarda um mundo diferente e com gráficos brilhantes. As terras escondidas contrastam com as cores uniformes e os monótonos escritórios das fábricas em que são encontrados, por meio das fitas.

 

Explore um mundo repleto de fitas cassetes e suas distorções

Resenha: Small Radios Big Televisions | Cidade Gamer

Quando um jogador encontra uma nova fita recebe a habilidade de saltar mundos, o que traz realidades divertidas e assombrosas para Small Radios Big Televisions.

No mundo da fita cassete, o desafio está na busca por chaves escondidas na paisagem para progredir. Nas fábricas, que possuem uma tira magnética em suas paredes para prender e revelar o que há nas fitas cassetes, os jogadores precisam resolver enigmas que, muitas vezes, estão relacionados à maquinaria em cada prédio para destravar as portas.

A partir desse momento, a paisagem muda com árvores e oceanos se deslocando e as montanhas se desdobrando. Quando você encontra fitas corrompidas, descobre versões alternativas dessa mesma paisagem. Essa desconstrução tem sua beleza e implora por uma exploração mais detalhada.

Mesmo com um ritmo acelerada e uma narrativa esparsa, Small Radios Big Televisions é uma experiência inovadora para quem gosta de exercitar a mente com puzzles complexos. Como qualquer mixtape das antigas, o jogo está recheado de momentos memoráveis.

Gostou deste artigo? Deixe seu comentário e compartilhe em suas redes sociais.

Ficha Técnica

Data de lançamento inicial8 de novembro de 2016
GêneroJogo eletrônico de quebra-cabeça
PlataformasPlayStation 4, Microsoft Windows

Jornalista que gosta de joguinhos e zumbis. Filha do Wolverine com a Mulher-Maravilha. Casada com gamer-otaku e mãe de um Lord Sith.

Compartilhe a Cidade

Comments

comments

%d blogueiros gostam disto: