Editorial por Carlos Vivacqua

ResmunGamer: Editorial Diablo 3

Editorial por Carlos Vivacqua

Olá moradores pixelados, não é todo o dia que sento na cadeira da prefeitura para escrever a respeito de um jogo. Mas não é toda hora que posso ser sincero sem ter que montar uma pauta, gravar um cast e editar.

Felizmente me senti imunizado a toda a febre do Diablo 3. Senti-me pronto para apenas curtir o jogo com meus amigos. E sendo um jogo da Blizzard não poderia esperar menos.

Entenda uma coisa, eu sou um gamer desde o ano de 1984, faz tempo mas não muito. E estou sempre acostumado com surpresas positivas. Se você traçar uma linha lógica temporal com base na época que joguei videogame até o momento atual, pode-se dizer que consumi e joguei todas as gerações de consoles. Isso não me faz melhor, isso me coloca na posição que estou para escrever esse editorial.

O que há de importante nessa questão, não é a minha idade, pois todos aqui podem correr atrás e dar seu jeito para conhecer as gerações anteriores, o que precisamos aqui é de exemplos. Ser um gamer semi-ancião me trouxe uma vantagem e uma desvantagem. Eu joguei tudo, e sou muito exigente.

Entendam algo, comecei minha geração pós atari, sendo presenteado com um Nintendinho, dois anos antes do Master System dar as caras em nossa terra. Esse é o mesmo console que evoluiu o Mario de pula corre e flor de fogo para mais de 5 roupas com poderes diferentes. E neste quesito, a Nintendo nunca parou de me impressionar.

Eis que chegamos a 2012, dia 15 de maio para ser mais preciso. O dia do lançamento do Diablo 3. Ora, se você não conhece nenhum jogo da Blizzard, muito provavelmente sabe que é uma empresa ousada, que se não inova, evolui. Que traz o esmero para cada linha de diálogo colocada em um aldeão de uma vila onde você pode pegar quests.

Tentei deixar de lado minha empolgação, e falta de apego com as versões anteriores do jogo (acredito eu, como um tolo, que uma franquia não deve depender da anterior depois de tanto tempo, mas esse sou eu). Me apeguei aos fatores óbvios, multiplayer com os meus amigos, jogo da Blizzard, e um RPG no ano de 2012. Tudo apontaria para a satisfação total.

Mantive-me puro, sem demos, sem betas, sem Diablo 2 pra relembrar. Vamos jogar Diablo 3. E aqui veio minha decepção. No momento que você começa a “criar” seu personagem (leia-se, escolher a classe e o sexo), você é posto em algo, que se demonstrou nada mais que Diablo 2 – Remake + A expansão em HD. E isso não seria um erro. Se não tivessem passado 15 anos, e a Blizzard não fosse a Blizzard.

Todos os meus amigos bateram na mesma tecla, é um jogo pra quem gosta de Diablo, ok, entendi, mas se o jogo fosse bom sozinho isso não traria mais pessoas? Ou será que as 14 milhões de pessoas que não jogaram Diablo 2 mas jogam World of Warcraft não se beneficiariam de um jogo que consegue manter-se sem depender de suas versões anteriores?

Ok, vamos tentar dar nome aos bois. Isso são problemas que acredito que até o maior fã da série seria capaz de ver. Se você não consegue enxergar esses problemas, seja mais exigente as vezes (eles não estragam o jogo, mas te tiram da proposta).

Como começar um jogo novo? Que tal com uma classe nova? Vamos de Monge!

Editorial por Carlos Vivacqua
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Aqui começou o meu tormento. O personagem chega até você deveras caracterizado. Apenas com uma soqueira (laminada, mas tudo bem), e as roupas no corpo. Pensei comigo mesmo, este personagem vai ter uma restrição a armas, só poderá usar armas permitidas pela classe, é um monge, ele não poderá usar armas comuns.

Em 12 minutos de jogo, minha soqueira de estimação foi substituída por um machado de combate junto com um escudo, que em seguida virou uma clava, uma espada, e por fim, um cajado. Sem entender muito bem o que ocorria, não me surpreendi vendo que todos os meus ataques com a arma tinham a mesma animação. Coisa que Double Dragon no fliperama na década de 80 não tinha em sprites, quando se pegava um chicote ou um taco de baseball.

Isso descaracterizou meu personagem na hora. Mas o jogo não exigia absolutamente nada de mim, além de um ou outro clique. E portanto, continuei.

Os problemas continuam, e continuam de uma maneira que provavelmente serão resolvidos. Existem idiotices que subestimam sua inteligência de uma maneira, que chegam a ofender. Mas como eu disse, isso tudo deverá ser resolvido.

Uma premissa muito conhecida de muitos que jogam qualquer RPG online é o item mágico não identificado. Ora, no Ragnarok você tinha pergaminhos ou pessoas que podiam identificar pra você, era assim no Diablo 2! Mas agora, você, como um monge, sem conhecimento algum de manufatura de armas (pois você paga alguém para criar), bate o olho em um cajado mágico que sua classe nunca utilizou e o identifica.

Farei a mesma pergunta que fiz no multiplayer ontem, amigos meus, fãs da série não souberam responder. Se eu não ganho XP identificando a arma, não gasto um pergaminho ou não levo pra alguém, qual a utilidade de uma arma desconhecida? Não da arma, mas do fato dela ser desconhecida. É só para você perder tempo no seu inventário para identificar. Não há custo pra isso, você não tem que poupar pergaminhos para identificar a arma da sua classe. É só clicar, e seu bárbaro semi analfabeto identificará um cajado com runas milenares em 2 segundos.

Novamente, essa descaracterização me tirou completamente da imersão.

Entendam algo, eu consigo ver a importância e a qualidade do jogo, mas depois de ficar só jogando e clicando em um monte de monstros, eu admito, que como um gamer que joga Super Marios diferentes, e uma versão de WOW melhor que a outra, eu confesso que esperava muito mais.

É um jogo delicado, é bom de se jogar com os amigos, mas absolutamente nada me empolgava nele. É um bom passatempo para bater papo e jogar, mas quando o jogo chegava no momento explorativo (essa palavra existe?), eu bocejava, pois aquilo não me contava nada, não eram as paisagens de World of Warcraft, ou mesmo os territórios inimigos de Starcraft, era um lugar genérico em um ambiente que precisava de mais ênfase.

Essa é uma opinião 100% minha, e ela pode sim ser mudada, e com certeza será. É um jogo delicado, mas não vá com tanta sede ao pote. Saiba que você, pode não gostar, histórias clichês e button smasher (aquele jogo de um botão só, sendo pressionado a exaustão). Esse jogo tem tudo para se tornar infinitamente melhor, mas ainda assim, eu esperava mais da Blizzard.

Atualizações virão e o jogo com certeza irá melhorar, mas eu me senti enganado por pagar caro em um produto inferior ao que existe hoje no mercado, e que tenho que esperar atualizações para que o mesmo melhore. Talvez eu não esteja habituado com o método de negócios da Blizzard.

Post Author: Prefeito Vivacqua

Criado em um laboratório por motivos de puro luxo e inveja, Vivacqua tornou-se o inventor da internet e em seguida da primeira máquina do tempo.