Video game é coisa de criança?

Para comemorar o dia 12 de outubro nada melhor do que falar de criança e ainda melhor quando lembramos do nosso tempo de criança. Quando acordar de manhã e ligar o video game para passar o restante do dia jogando era um dos seus únicos compromissos. Para não ser um texto bobo e nostálgico, proponho uma reflexão sobre os nossos velhos tempos e de como video game era considerado coisa de criança, para analisarmos como os consoles são recebidos pelo público hoje.

crianças jogando psone

Nossa primeira parada está em como era trabalhoso ligar um video game. Aquele monte de fios, cabos para conectar na antena, mudar configuração de televisão, além das caixinhas seletoras que ficavam penduradas atrás de nossas televisões de tubo gigantescas. Sua mãe podia até brigar com você com medo de estragar a televisão com aquele processo árduo de “sintonizar” o video game. Hoje em dia a molecada não sabe o que é ter esse cuidado pós-unboxing do console, pois, a conexão wireless ou até mesmo a conexão HDMI acaba com qualquer problema com uma única conexão.

O que dava a impressão de que video game era coisa de criança estava nos famosos cartuchos, ou até mesmo as fitas de jogos. A “simplicidade” em apenas entreter o público infanto-juvenil como parte do entretenimento digital fazia com que não se tratava de algo próprio para os adultos. Se analisarmos como os consoles entram nas casas das pessoas hoje em dia, vemos que as crianças crescem sem saber o que era tirar um cartucho e assoprar ou até mesmo deslocar o cartucho para fazer com que o jogo funcionasse. Essas crianças nascem em meio a um conteúdo mais “elitizado”, no que se refere à qualidade e a seriedade do jogos. Os consoles cresceram com essas mesmas crianças e hoje os, agora, adultos buscam nos consoles outras formas de entretenimento além da jogabilidade.

adolescentes jogando wii

O grande público acabou adotando os consoles como parte dos aparelhos eletrônicos do lar a partir da evolução que sofreram. Saíram os passwords e entraram a memória interna, para mais tarde ser substituída por cartões de memória ou até mesmo HDs; o gráfico simplificado deu lugar à evolução da qualidade de imagem e som, possibilitando a utilização de outras mídias e até mesmo a reprodução de filmes e músicas.

Resumindo outros pontos, as crianças de hoje não sabem o que é “jogar de dois” e, o mais importante, o drama de jogar com a última vida do seu personagem. Da mesma forma como os consoles evoluíram, a simplicidade surgiu em favor da acessibilidade, ou seja, não somente as crianças teriam tempo para desbravar os games e suas dificuldades, mas qualquer pessoa poderia comprar um jogo, se divertir e progredir na história.

Concordo que os video games já foram coisa de criança, mas hoje em dia não fazem parte de um único público, pois, se dermos um Super Nintendo ou Mega Drive para alguma criança, muitas desistirão na primeira hora. A evolução dos games causou uma simplificação e, arrisco dizer, a banalização do estilo de jogo que já existiu um dia, tudo em busca de atingir um público maior. Hoje vemos adultos comprarem os games, seja pela tecnologia ou pelo entretenimento dos games, mas o que mais importa é vermos que video game não é mais coisa de criança e pode estar na sua sala, ocupando o lugar de um DVD Player, Sound System ou até mesmo um Blu-Ray Player.

Qual a opinião de vocês sobre os games perderem muito do que já tiveram? Para vocês, video game ainda é coisa de criança?

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Post Author: Rafael Nery

1) Geminiano e Nerd 2) Adoro usar xadrez 3) Amante de quadrinhos, games, filmes e desenhos 4) Estudioso da cultura japonesa 5) Viciado em literatura fantástica